Sinto-me muito confortável para falar a respeito desse tema, já que é fruto de minha própria imersão à solitude.
Ao ser acometida por esse vírus tão criativo, que vem fazendo o mundo se debruçar sobre seus efeitos, fiquei internada por longos dias, longe de tudo e de todos…tão perto de mim mesma.
Naqueles mesmos dias tive a constatação de que a urgência está nos roubando de nós mesmos e inviabilizando a profundidade da experiência de estarmos simplesmente presentes. Posso dizer que o Ano Novo chegou bem antes do que o esperado, com muito mais portas do que janelas e, tangida por essa percepção, não posso me silenciar.
São tantas as especulações, que nos perdemos no excesso de movimento da nossa própria visão periférica, embaçamos os vidros e, assim, acreditamos na visão comprometida.
Gastamos tempo e fôlego com aquilo que não podemos, de fato, mudar, com o que deveríamos deixar seguir em frente, com a exacerbação do auto centrismo.
Não raro, a rotina do trabalho somada aos descompassos do cotidiano, contribuem para o comprometimento do olhar sobre uma vida com mais significado. Uma vida que não esteja calcada somente na busca por conquistas materiais, títulos ou instrumentos que tem meramente a função de engrandecer o ego.
Falta-nos, por muitas vezes, o tempo das esperas. O tempo que nos leva a ver o que está além do que é possível enxergar. A vida é rara e sem descanso ela nos escapa pelos vãos do vazio.
Se o trabalho é essencial, o descanso o é da mesma forma, se não, mais ainda. Se você caminha, todos os dias, com a sensação de estar sempre no limite, então está indo na contramão de uma vida com sentido. Existem mudanças que podem salvá-lo, gerindo novas delicadezas, novos encontros, outros encantos.